Uma feira do agronegócio realizada em Sinop, município localizado a cerca de 500 quilômetros de Cuiabá, ganhou contornos políticos em pleno ano eleitoral e evidenciou a dificuldade do governo federal em estabelecer diálogo com parte significativa do setor no Centro-Oeste.
O evento destacou a presença de um senador ligado à oposição, que participou como principal atração da programação. A escolha chamou atenção pelo fato de o presidente da República, que disputará o cenário político no mesmo período eleitoral, não ter sido incluído entre os convidados.
A situação é vista como reflexo de um distanciamento histórico entre o agronegócio e o atual governo, especialmente em estados da região Centro-Oeste, onde o setor tem forte peso econômico e influência política.
Entre os fatores que ajudam a explicar essa resistência estão a associação do partido governista com movimentos sociais ligados à reforma agrária, como o MST, além de divergências em relação à pauta ambiental. Produtores rurais também costumam demonstrar preocupação com políticas que possam impactar diretamente a produção e a propriedade privada.
Outro ponto relevante é o perfil socioeconômico da região. Diferentemente de outras áreas do país, há menor dependência de programas sociais, o que reduz a identificação com políticas públicas voltadas à transferência de renda.
Além disso, valores ligados à família, à propriedade e à autonomia no campo são frequentemente apontados como elementos culturais que influenciam o posicionamento político de parte do agronegócio.
O episódio em Sinop reforça o cenário de polarização e mostra que, mesmo com a importância estratégica do setor para a economia nacional, o governo ainda enfrenta desafios para ampliar sua interlocução com produtores rurais em regiões-chave do país.