SidroNews
Corpal

Ao votar contra CPMI, Moraes impediu Congresso de ver voos dele em jatinho

Comissão havia aprovado pedidos de informações sobre o Legacy 650 PP-NLR; dados, incluindo listas de passageiros, não chegaram antes do encerramento dos trabalhos

Ao votar contra CPMI, Moraes impediu Congresso de ver voos dele em jatinho

As imagens foram gravadas no dia 22 de agosto passado, no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (RJ).

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), integrou a maioria da Corte que votou contra a prorrogação da CPMI do INSS, encerrada antes que o Congresso recebesse informações solicitadas sobre os voos do jato Legacy 650, prefixo PP-NLR, aeronave na qual Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, foram posteriormente filmados desembarcando.

Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (22) pelo Metrópoles, integrantes da CPMI haviam aprovado requerimentos destinados à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e à empresa Prime You para obter dados da aeronave, incluindo as listas de passageiros.

CPMI PEDIU DADOS DO JATINHO

Os requerimentos foram apresentados em fevereiro pelos então integrantes da comissão Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Kim Kataguiri (Missão-SP) e aprovados no dia 26 daquele mês.

Em 19 de março, a Prime You solicitou mais 15 dias úteis para entregar as informações sobre os voos do PP-NLR. O prazo solicitado levaria a resposta até 9 de abril. Entretanto, a CPMI encerrou seus trabalhos em 28 de março, sem receber esses dados e sem aprovar relatório final.

O ministro André Mendonça havia concedido decisão liminar prorrogando os trabalhos da comissão. No julgamento pelo plenário do STF, porém, a prorrogação foi rejeitada por 8 votos a 2. Mendonça e Luiz Fux ficaram vencidos. Moraes integrou a maioria que decidiu pelo encerramento.

IMAGENS MOSTRARAM MORAES E ESPOSA NO LEGACY

A questão ganhou nova repercussão após a divulgação de imagens mostrando Moraes e Viviane Barci desembarcando do Legacy 650 PP-NLR, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto.

O escritório Barci de Moraes confirmou que utiliza serviços de táxi aéreo da Prime Aviation. Segundo a banca, a contratação segue critérios operacionais e não representa vínculo pessoal com proprietários ou operadores das aeronaves. O escritório também afirmou que Daniel Vorcaro não estava presente nos voos realizados com integrantes da banca.

ESCRITÓRIO NEGA IRREGULARIDADE

A reportagem do Metrópoles também relaciona o episódio a uma minuta de contrato de R$ 50 milhões entre a Viking Participações, empresa ligada a Daniel Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes. Segundo a publicação, o documento previa cotas de um Legacy 650 e de um helicóptero, além de recursos destinados às despesas operacionais das aeronaves.

O escritório Barci de Moraes afirma que esse contrato nunca foi assinado. A reportagem cita ainda mensagens obtidas em investigação da Polícia Federal que, segundo o Metrópoles, indicariam que negociações relacionadas às aeronaves continuaram.

O fato objetivo é que a CPMI possuía requerimentos aprovados para obter informações do PP-NLR, mas os trabalhos terminaram antes da entrega desses documentos. A afirmação de que Moraes teria votado especificamente para impedir o acesso a informações sobre seus próprios voos é a interpretação apresentada pela reportagem do Metrópoles; formalmente, o julgamento do STF tratava da prorrogação da CPMI como um todo

Compartilhar:

Comentários (0)

Carregando comentários...

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado

* Campos obrigatórios. Seu comentário será moderado antes de ser publicado.

Notícias Relacionadas