A Justiça decidiu manter preso um homem de 20 anos e conceder liberdade provisória a uma mulher de 19 anos, envolvidos em uma perseguição policial de aproximadamente 20 quilômetros pela BR-060, em Sidrolândia. O caso aconteceu no sábado (24), após o roubo de um veículo pertencente a um motorista de aplicativo em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.
A informação foi divulgada pelo portal Midiamax, na terça-feira (27), após a audiência de custódia realizada no Fórum de Campo Grande. O homem, identificado como Matheus da Silva Alves, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. Já sua companheira, Lívia de Souza Barbieri, recebeu liberdade provisória.
O casal havia sido detido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) depois de uma fuga em alta velocidade, que terminou quando o Volkswagen Virtus roubado bateu contra um barranco às margens da rodovia.
MOTORISTA DE APLICATIVO FOI RENDIDO EM PONTA PORÃ
O roubo aconteceu por volta de 1h15 de sábado (24), na BR-463, em Ponta Porã.
O motorista de aplicativo havia aceitado uma corrida solicitada pelos suspeitos. Ao chegar ao destino, foi surpreendido por um passageiro armado com uma pistola e obrigado a abandonar o Volkswagen Virtus.
Em depoimento à Polícia Civil, a vítima relatou que o assaltante chegou a pedir desculpas e afirmou que precisava cometer o crime para salvar a esposa de um suposto sequestro.
Após a abordagem, os suspeitos deixaram o local com o automóvel.
FUGA DE 20 QUILÔMETROS TERMINOU EM ACIDENTE
Por volta das 5h45, uma equipe da PRF identificou o veículo transitando pela BR-060, na região de Sidrolândia.
Os policiais deram ordem de parada, mas o condutor desobedeceu e iniciou uma fuga em alta velocidade.
Durante aproximadamente 20 quilômetros, o motorista realizou ultrapassagens em locais proibidos, trafegou pelo acostamento e colocou outros usuários da rodovia em situação de risco.
Diante das manobras perigosas, os policiais efetuaram disparos contra os pneus traseiros do automóvel, tentando interromper a fuga.
Em uma tentativa de ultrapassagem, o condutor perdeu o controle da direção, invadiu a pista contrária e atingiu um barranco.
O veículo ficou bastante danificado.
Os dois ocupantes foram socorridos e encaminhados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. Posteriormente, foram levados à Delegacia de Polícia Civil.
SUSPEITO ALEGA QUE FOI TORTURADO APÓS RECEBER PROPOSTA DE EMPREGO
Durante o interrogatório, Matheus apresentou uma versão diferente sobre as circunstâncias que levaram ao roubo.
Segundo ele, tudo começou após receber uma proposta de emprego para trabalhar como piloto agrícola na pulverização de lavouras.
O jovem afirmou que havia concluído recentemente um curso na área de aviação e estava encaminhando currículos em busca de uma oportunidade profissional.
Conforme seu relato, um homem identificado como Mauro teria oferecido o trabalho em Ponta Porã.
Entretanto, ao chegar à cidade, Matheus afirmou que foi surpreendido por criminosos, ameaçado com uma arma de fogo e agredido nos dedos com um alicate.
O suspeito declarou que os envolvidos ameaçaram matar seus familiares caso ele não obedecesse às ordens para assumir o veículo.
A versão apresentada pelo investigado ainda depende de apuração pelas autoridades policiais.
MULHER AFIRMOU QUE ACOMPANHOU NAMORADO POR MEDO DAS AMEAÇAS
Lívia, de 19 anos, declarou à polícia que acompanhou o namorado em direção a Cuiabá, no Mato Grosso, por medo das ameaças que, segundo ela, estavam sendo feitas contra o casal e seus familiares.
Durante a ocorrência, os policiais apreenderam dois aparelhos celulares, munição para airsoft e um silenciador.
A Polícia Civil confirmou a prisão em flagrante dos dois e realizou o indiciamento por roubo majorado pelo emprego de arma.
JUSTIÇA CONCEDE LIBERDADE À MULHER E MANTÉM HOMEM PRESO
A defesa dos investigados apresentou pedido de liberdade provisória, analisado durante audiência de custódia na terça-feira (27), em Campo Grande.
Após a análise, a Justiça decidiu converter a prisão em flagrante de Matheus em prisão preventiva, mantendo o jovem sob custódia enquanto o processo segue seu andamento.
Por outro lado, Lívia recebeu o benefício da liberdade provisória.
A decisão foi confirmada em reportagem publicada pelo Midiamax, atualizando as informações divulgadas anteriormente por outros veículos de comunicação.
A liberdade provisória não significa absolvição, assim como a prisão preventiva não representa condenação definitiva. Os dois continuam sujeitos aos procedimentos legais relacionados à investigação.
O caso segue sob apuração das autoridades responsáveis.