Avanços tecnológicos e mudanças sociais impulsionam novas carreiras e redefinem funções no mercado de trabalho até 2026
Saiba como a requalificação e a inteligência estratégica estão moldando os cargos do futuro

Saiba como a requalificação e a inteligência estratégica estão moldando os cargos do futuro

As rápidas transformações tecnológicas, aliadas a mudanças no comportamento de consumo e na organização do trabalho, têm alterado de forma acelerada o perfil das profissões e das competências exigidas pelas empresas. No Brasil, esse movimento já se reflete na criação de novas funções e na valorização de áreas estratégicas, segundo análise do Banco Nacional de Empregos (BNE).
Esse cenário acompanha tendências globais mapeadas pelo Relatório Futuro do Trabalho 2025, do Fórum Econômico Mundial, elaborado a partir da percepção de empregadores de diferentes setores e países sobre as funções que devem crescer, diminuir ou se manter estáveis nos próximos anos.
Embora o relatório tenha como base projeções até 2030, especialistas avaliam que muitas dessas transformações já se consolidam no curto prazo. O estudo, realizado em parceria com a Fundação Dom Cabral, aponta que 39% das habilidades atuais devem mudar significativamente até o fim da década, enquanto 22% das funções formais tendem a ser criadas ou substituídas, movimento que já influencia o mercado em 2026.
Carreiras em alta e áreas estratégicas até 2026
Para José Tortato, COO do BNE, os empregos com maior potencial de crescimento nos próximos anos refletem a convergência entre avanços tecnológicos, demandas sociais e mudanças no perfil da força de trabalho. “As empresas estão buscando profissionais capazes de lidar com inovação, sustentabilidade e gestão de pessoas em um ambiente cada vez mais dinâmico”, afirma.
As áreas de tecnologia e dados seguem entre as que apresentam crescimento mais acelerado. Impulsionadas pela expansão da inteligência artificial, da automação e do acesso digital, funções como engenheiro de IA e machine learning, cientista e analista de dados, desenvolvedor de software e especialista em cibersegurança tendem a ganhar ainda mais relevância até 2026.
Os chamados empregos verdes também se destacam nas projeções. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), atividades ligadas à preservação ambiental e à transição energética devem gerar cerca de 24 milhões de novas oportunidades no mundo até 2030. No Brasil, esse movimento já se traduz em mais de 3 milhões de empregos formais relacionados à economia verde, o equivalente a 6,6% dos vínculos CLT, com destaque para áreas como engenharia ambiental, energias renováveis, gestão de sustentabilidade e arquitetura sustentável.
O envelhecimento da população e a maior atenção à saúde mental impulsionam a demanda por profissionais da área de saúde e bem-estar. Psicólogos, terapeutas, psiquiatras, cuidadores de idosos e especialistas em saúde mental do idoso estão entre as profissões em alta. Dados do Conselho Federal de Psicologia indicam que a procura por psicólogos cresceu 25% nos últimos cinco anos, tendência reforçada por levantamento do BNE, que aponta aumento de 88% nas vagas para esses profissionais no primeiro semestre de 2025, em comparação com 2024.
Em um ambiente de trabalho mais digital, colaborativo e orientado por dados, a gestão de pessoas assume papel estratégico. Cresce a demanda por líderes e especialistas capazes de desenvolver equipes, promover diversidade e bem-estar e apoiar processos de inovação. Funções como analista de People Analytics, gerente de desenvolvimento de lideranças, recrutador especializado, especialista em capacitação e em diversidade e inclusão ganham espaço nas organizações.
Segundo o BNE, o avanço dessas áreas indica que 2026 será marcado menos pela extinção de profissões e mais pela transformação dos perfis profissionais. Para trabalhadores e empresas, o desafio estará na adaptação contínua, na requalificação e no alinhamento entre competências técnicas, humanas e estratégicas exigidas pelo novo mercado de trabalho.
"O mercado de 2026 não irá substituir os profissionais, mas exigirá que ele domine a tecnologia. A grande chave da empregabilidade agora é a capacidade de aprender a desaprender. Quem investe em requalificação constante e entende que a carreira é um organismo vivo, em constante adaptação, deixa de temer a extinção para liderar a transformação", finaliza Tortato.
Sobre o Banco Nacional de Emprego
Há mais de 20 anos no mercado, o Banco Nacional de Empregos (BNE) é um dos sites de currículos mais importantes do Brasil. O principal objetivo é facilitar a interligação entre o empregador e empregado no mercado de trabalho de maneira rápida e eficiente. O BNE conta com mais de 135 mil empresas cadastradas, que buscam currículos diariamente e oferecem diversas novas oportunidades de trabalho todos os dias.

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