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Clínicas em áreas nobres, jatinho e ilha paradisíaca: operação revela luxo por trás de esquema clandestino de medicamentos para emagrecer

Médico influenciador e laboratório de SP são alvo de investigação sobre produção em massa de substância usada em canetas emagrecedoras

Redação
Fantastico / TV Globo
Clínicas em áreas nobres, jatinho e ilha paradisíaca: operação revela luxo por trás de esquema clandestino de medicamentos para emagrecer

No centro da investigação está um médico baiano, conhecido nas redes sociais por produzir conteúdo sobre tratamento da obesidade

Reportagem exibida no Fantástico neste domingo (30) trouxe novos detalhes de uma operação da Polícia Federal contra a fabricação e comercialização irregular de uma substância usada em canetas para emagrecimento.

No centro da investigação está um médico baiano, conhecido nas redes sociais por produzir conteúdo sobre tratamento da obesidade e por ministrar cursos para outros profissionais. Ele soma centenas de milhares de seguidores, atende em clínicas em endereços nobres e costuma se deslocar em jatinho particular.

A principal substância receitada pelo médico é a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, medicamento indicado para obesidade e diabetes. No Brasil, apenas um laboratório tem autorização da Anvisa para vender a tirzepatida em larga escala. A manipulação individual em farmácias é permitida, desde que cada frasco seja preparado na dose correta e em nome de um paciente específico.

Segundo a Polícia Federal, essa regra não era seguida pelo grupo investigado. Em vez de preparos individualizados, foram localizadas grandes quantidades do produto, fracionado e estocado em série. Perita criminal ouvida pela reportagem destacou que não é esperado encontrar milhares de unidades prontas, sem identificação de paciente, em uma farmácia de manipulação.

Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em casas, clínicas e laboratórios ligados ao médico e a outros profissionais. A PF também fez buscas na sede do laboratório Unikka Pharma, na Zona Sul de São Paulo, apontado como local de produção e manipulação das ampolas apreendidas. No endereço, foram encontrados milhares de frascos sem controle e sem rastreabilidade. A investigação trabalha com a hipótese de que o médico e outros profissionais seriam sócios ocultos do laboratório.

Além de tirzepatida, a PF apreendeu anabolizantes, implantes hormonais e outros produtos manipulados, todos em ambiente considerado irregular para produção em larga escala.

A apuração identificou ainda o uso de uma ilha de alto padrão, na Baía de Todos-os-Santos, na Bahia, como vitrine do negócio. O imóvel, adquirido em consórcio pelo médico e outras pessoas, servia de local para treinamentos de profissionais de várias partes do país. Nesses encontros, eram apresentados o chamado “Protocolo de Emagrecimento” e os produtos oferecidos para clínicas e laboratórios, de acordo com a PF.

A defesa do médico afirma que ele não é especialista em endocrinologia, mas possui pós-graduações na área reconhecidas pelo MEC. Diz ainda que os encontros na ilha têm caráter de treinamento sobre o protocolo, que ele não participa da fabricação dos medicamentos, não tem vínculo societário com a Unikka Pharma e atua apenas como consumidor dos produtos do laboratório.

Em nota, a Unikka Pharma declarou que não fabrica nem comercializa o chamado “falso Mounjaro” e que atende exclusivamente clínicas e médicos habilitados, sem venda direta ao público ou ao varejo.

A Anvisa informou que prestou apoio técnico na identificação dos produtos, mas que a investigação corre sob sigilo judicial, cabendo à Polícia Federal a divulgação de novas informações sobre o caso.

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