As empresas estatais brasileiras acumularam déficit de R$ 7,4 bilhões entre janeiro e maio de 2026, segundo dados do Banco Central. Em valores nominais, esse é o pior resultado para o período desde o início da série histórica.
Do total, aproximadamente R$ 5,9 bilhões correspondem às estatais federais. As empresas estaduais apresentaram resultado negativo de cerca de R$ 1,5 bilhão, enquanto as municipais registraram pequeno superávit.
Somente em janeiro, o déficit das estatais chegou a R$ 4,8 bilhões. Fevereiro, março e abril também terminaram no vermelho. Maio foi o único mês do período com resultado positivo.
Especialistas criticam gestão das empresas
Economistas ouvidos relacionam a deterioração das contas à ocupação política de cargos, falhas de gestão e à visão de que empresas públicas não precisam apresentar lucro por exercerem uma função social.
Os especialistas defendem que a prestação de serviços públicos não pode afastar a responsabilidade dos gestores sobre os resultados financeiros. Também apontam que empresas deficitárias podem exigir recursos do Tesouro, transferindo parte da conta aos contribuintes.
A flexibilização temporária de algumas restrições da Lei das Estatais, ocorrida em 2023 por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal, também foi citada como fator que facilitou novas indicações políticas. As restrições foram restabelecidas pelo plenário do STF em 2024, mas as nomeações realizadas durante a vigência da decisão foram mantidas.
Correios preocupam governo
Os Correios aparecem entre os casos mais preocupantes. A empresa encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e contratou empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para reforçar o caixa.
O governo admite que novos aportes públicos poderão ser necessários caso a situação financeira da estatal não seja revertida.
Governo contesta interpretação
O Ministério da Gestão e da Inovação afirma que o indicador utilizado pelo Banco Central mede a necessidade de financiamento das empresas e não representa, sozinho, a situação econômica completa das estatais.
Segundo o governo federal, o conjunto das empresas controladas pela União apresentou lucro líquido de R$ 169,4 bilhões em 2025, além de patrimônio superior a R$ 1 trilhão.
Os números, entretanto, consideram universos diferentes. A estatística do Banco Central não inclui grandes companhias como Petrobras e Banco do Brasil, que possuem acionistas privados e capacidade própria de captar recursos no mercado.
Petrobras, Banco do Brasil e BNDES responderam por mais de 90% do lucro divulgado pelo governo em 2025. Somente a Petrobras registrou lucro de R$ 110,6 bilhões.
A diferença metodológica alimenta a disputa política: a oposição responsabiliza a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo déficit recorde, enquanto o governo argumenta que investimentos e resultados contábeis não podem ser tratados simplesmente como “rombo”