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Defesa de ex-militar que matou adolescente a tiros pede prisão domiciliar

Atualmente em regime semiaberto, a defesa argumenta que pernoitar com outros detentos coloca a vida do ex-policial em risco

Defesa de ex-militar que matou adolescente a tiros pede prisão domiciliar

Alessandro Molina - Foto: Reprodução, redes sociais

A defesa do ex-policial militar Nadir Cáceres Charif, preso pelo assassinato de um adolescente de 17 anos em Ponta Porã, em 2013, formalizou uma petição para que ele cumpra prisão domiciliar. Alessandro Molina foi morto a tiros quando pilotava uma moto e tentava fugir de uma blitz, na qual Charif trabalhava.

Atualmente o ex-militar, que atuou em Ponta Porã, Dourados e Caarapó, cumpre pena no regime semiaberto e progrediu para o regime aberto. Contudo, nesse último, o sentenciado pernoitaria em casa de albergado, ou seja, um alojamento com outros detentos.

A defesa argumenta que a medida coloca a vida de Charif em risco, já que ele foi policial e pode conviver com pessoas ligadas a facções criminosas de áreas onde ele atuou. O advogado pede, então, que o ex-policial ele fique no regime aberto “harmonizado”, assim ele seria mantido em recolhimento domiciliar, não iria para albergue e usaria tornozeleira eletrônica.

“A comarca de Dourados abriga unidades prisionais com alta concentração de detentos oriundos de regiões onde o reeducando atuou ostensivamente como policial militar. O recolhimento em estabelecimento de regime aberto comum (albergue), onde há o convívio direto com outros reeducandos, muitos deles integrantes de
facções criminosas, representa uma ameaça real e iminente à vida do peticionário”, diz trecho da petição.

Segundo a defesa, o Charif possui “excelente comportamento e histórico prisional” e “a manutenção do isolamento de ex-agentes de segurança pública não é um privilégio, mas uma imposição do Art. 5º, XLIX da Constituição Federal, que garante ao preso o respeito à integridade física e moral”.

Agora, o MPMS vai analisar o pedido e, em seguida, se manifestar de forma favorável ou não. O pedido será devolvido ao juiz, que decidirá.

O crime

À época do crime, Charif tinha 23 anos. Em 2018, foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado. Durante uma blitz no final da noite do dia 21 de maio de 2013, na Rua Pedro Ângelo da Rosa em Ponta Porã, o militar atirou contra Alessandro.

Segundo o MPE (Ministério Público Estadual), “o homicídio se deu mediante recurso que dificultou a defesa da vítima – à traição – já que Nader efetuou os disparos contra as costas da vítima, enquanto esta se afastava do local e não oferecia risco”.

Ainda de acordo com a denúncia, Alessandro voltava do trabalho em uma motocicleta estrangeira com outro adolescente na carona. Ao ver a blitz, o adolescente pediu para que o colega descesse e, em seguida, fez uma manobra de retorno para fugir.

Nesse momento, Charif correu atrás do motociclista e efetuou disparos. Um tiro acertou as costas do adolescente e outro tiro atingiu a mochila do rapaz. O jovem ainda chegou a percorrer por uns cem metros com a moto antes de cair e morrer no local.

Na época, o policial alegou no boletim de ocorrência que após a garupa desembarcar, Alessandro fez uma manobra brusca e seguiu em direção a ele, que se jogou ao solo para não ser atropelado, momento em que efetuou os disparos. Esses fatos foram desmentidos por testemunhas.


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