SidroNews
Terra planagem

Ely Leal lançou, Julio Cotting retomou e Lucas de Lima consagrou o “Amor Sem Fim”

Julio Cotting e Lucas de Lima fazem parte das diferentes fases da atração.

José Pereira
SidroNews
Ely Leal lançou, Julio Cotting retomou e Lucas de Lima consagrou o “Amor Sem Fim”

"Sou muito grato ao Lucas, ele me deu a primeira oportunidade" disse o Adv Dr Julio Cotting - Foto Arquivo Pessoal

Criada por volta de 1991, atração passou por diferentes apresentadores e encontrou em Lucas sua fase mais longa e duradoura.

O programa “Amor Sem Fim” atravessou mais de três décadas, diferentes emissoras, mudanças de apresentadores e profundas transformações no comportamento dos ouvintes. Sua história começou por volta de 1991, quando Ely Leal deixou a Rádio 102 e passou a trabalhar na Rádio Cidade, em Campo Grande.

Foi Ely Leal quem colocou o “Amor Sem Fim” no ar pela primeira vez. A programação ocupava um horário dedicado às músicas românticas que faziam sucesso naquele período, além de temas de novelas, canções antigas e flashbacks.

A seleção musical incluía sucessos internacionais como “I’m Not in Love”, na versão do grupo Will to Power, e “You Gotta Love Someone”, de Elton John. A programação mantinha uma linha sentimental e romântica, sem a presença das músicas sertanejas que seriam incorporadas em fases posteriores.

Ely Leal já possuía experiência no rádio. Nascido em Campo Grande, iniciou sua trajetória na comunicação em 1978, na Rádio PRI-7, a Rádio Difusora, trabalhando inicialmente como repórter na equipe esportiva. Ao longo da carreira, passou por diferentes veículos e acumulou mais de quatro décadas de atuação na comunicação.

A fase da dance music

Depois da saída de Ely Leal, o horário passou a ser comandado pelo DJ Ian. A mudança de apresentador também provocou uma transformação completa na programação.

As músicas românticas perderam espaço e a dance music passou a dominar o horário. Foi uma fase diferente daquela iniciada por Ely e também do formato que voltaria a ser apresentado posteriormente.

Essa mudança permaneceu até abril de 1992, quando Julio César Cotting assumiu o horário na Rádio Cidade. A retomada do romantismo, porém, não aconteceu imediatamente.

Julio começou a modificar a seleção musical aos poucos. Primeiro colocou uma música romântica acompanhada de uma vinheta. Depois, passou a tocar duas músicas e a vinheta. Em seguida, três músicas e novamente a identificação.

“Me lembro de ter entrado o DJ Ian. Aí ele meteu dance adoidado lá, até eu entrar no lugar dele em abril de 92. Mas eu não comecei com o programa de cara, não. Eu fui colocando uma música romântica e uma vinhetinha. Aí fui colocando duas músicas românticas e a vinheta, três e a vinheta. Fui colocando, ninguém reclamou, ninguém falou nada e, gradativamente, fui sentindo a liberdade de falar que ia estrear o programa Amor Sem Fim”, recorda Julio Cotting.

O processo foi gradual. À medida que não surgiam reclamações ou impedimentos, Julio sentiu que havia liberdade para devolver ao horário a identidade romântica do “Amor Sem Fim”.

Um registro preservado na internet mostra Julio Cotting apresentando o programa na FM Cidade 97 no dia 16 de abril de 1992. O material representa um documento importante dessa fase da história do rádio de Campo Grande.

Julio permaneceu ligado à comunicação durante décadas, com passagens por emissoras de rádio e televisão. Depois de décadas de atuação em emissoras de rádio e televisão, Julio Cotting seguiu uma nova carreira profissional. Atualmente, trabalha como advogado em Campo Grande, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Mato Grosso do Sul.  ele também possui pós-graduação em Direito Processual e Práticas Processuais. Sua trajetória profissional reúne duas áreas distintas, mas diretamente ligadas à comunicação: o rádio e o Direito.

A chegada de Lucas de Lima

Em uma etapa posterior, o “Amor Sem Fim” passou a ser comandado por Lucas de Lima. Com uma voz reconhecida pelo estilo romântico e uma comunicação direta com os ouvintes, ele tornou-se o apresentador que permanece por mais tempo à frente da atração.

Lucas construiu uma trajetória de mais de 30 anos no rádio. O “Amor Sem Fim” tornou-se uma das principais marcas de sua carreira, acompanhando o comunicador mesmo depois de sua entrada na política.

Ao longo dos anos, o programa foi adaptado sem abandonar sua identidade romântica. A seleção passou a incluir músicas nacionais e internacionais, sertanejo atual, universitário, modão e ritmos regionais.

A programação também ganhou participação dos ouvintes, sorteios de prêmios e transmissões realizadas diretamente de diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.

Em uma das fases recentes, a atração diária foi dividida em duas partes. A primeira hora permaneceu dedicada ao “Amor Sem Fim”, enquanto a segunda recebeu o nome de “Buteco do Lucas de Lima”.

O programa passou a ser transmitido pela Rede de Rádios Jota FM e por outras emissoras do estado. Lucas também comandou a atração das 22h à meia-noite na Rede MS de Rádio e Televisão.

A presença do “Amor Sem Fim” continuou sendo registrada em 2026. No dia 2 de junho, Lucas apresentou a atração na Jota FM 98,1, em Ivinhema, mostrando que o programa permanecia circulando pelas emissoras e municípios sul-mato-grossenses.

Em julho, o comunicador anunciou um afastamento temporário dos microfones para cumprir as exigências da legislação eleitoral. Na ocasião, reafirmou que o rádio continua sendo sua maior paixão profissional e um importante elo com a população.

Competência para sobreviver à era digital

A história do “Amor Sem Fim” começou com Ely Leal, passou pela fase de dance music comandada pelo DJ Ian e recuperou sua identidade romântica com Julio Cotting. Entretanto, foi com Lucas de Lima que a atração alcançou sua fase mais longa.

Lucas teve a maestria e a competência necessárias para atualizar o programa sem destruir sua essência. Ele preservou o romantismo, ampliou a seleção musical, aproximou a atração dos ouvintes e levou o “Amor Sem Fim” para diferentes emissoras e municípios.

Essa longevidade ganha ainda mais importância em uma época na qual o rádio tradicional disputa diariamente a atenção do público com redes sociais, plataformas de streaming, podcasts e conteúdos sob demanda.

Manter um programa no ar durante tantos anos, conquistando diferentes gerações de ouvintes, não é resultado apenas de um nome conhecido. Exige talento, capacidade de adaptação, identificação com o público e respeito pela história construída anteriormente.

Lucas de Lima demonstrou essas qualidades. Ao conduzir o “Amor Sem Fim” por mais tempo que seus antecessores, transformou-se no principal responsável por manter o programa vivo, popular e relevante até os dias atuais.

Em um mundo cada vez mais digital, o sucesso do “Amor Sem Fim” mostra que o rádio ainda encontra espaço quando existe competência diante do microfone e uma ligação verdadeira com os ouvintes.

Compartilhar:

Comentários (0)

Carregando comentários...

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado

* Campos obrigatórios. Seu comentário será moderado antes de ser publicado.

Notícias Relacionadas