SidroNews
SUPREMUS

Gaeco mira vereadores, ex-parlamentares e empresários em nova operação em Sidrolândia

Ações do Ministério Público atingem nomes influentes da política local e do setor privado; apurações preliminares apontam possível ligação com doações eleitorais de 2022, mas motivo oficial ainda não foi revelado

Redação
SidroNews
Gaeco mira vereadores, ex-parlamentares e empresários em nova operação em Sidrolândia

otivo da operação ainda não foi divulgado oficialmente - Divulgação

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), força-tarefa do Ministério Público responsável por investigar esquemas complexos e organizações criminosas, deflagrou nesta terça-feira (18) uma nova operação em Sidrolândia. A ação tem como alvos vereadores em exercício, ex-parlamentares e empresários com atuação relevante no município, além de empresas ligadas ao setor de saúde.

Entre os nomes da política local atingidos pela ofensiva estão os vereadores Izaqueu Diniz, Cledinaldo Cotócio e Adailton Brandão, que atualmente compõem a Câmara Municipal de Sidrolândia. Já entre os ex-vereadores investigados aparecem Cristina Fiuza, Elieu Vaz, José Ademir Gabardo e Enelvo Felini Jr., todos com histórico de forte participação em comissões e debates ligados à administração municipal em anos anteriores.

No setor privado, a lista de investigados inclui a empresária Júlia Carla Nascimento, Júlio César Alves da Silva e Silvio de Azevedo Pereira. Também são alvos da operação a Pharbox Distribuidora Farmacêutica, a Farma Medical Distribuidora, o Hospital Dona Elmiria e a empresária Jacoba P. Wilmtje, ligada à área da saúde. Empresas do ramo hospitalar e de fornecimento de insumos médicos já haviam sido apontadas em apurações anteriores como peças-chave em contratos públicos sensíveis na cidade.

Motivo da operação ainda não foi divulgado oficialmente

Até o momento, o Ministério Público não detalhou, em nota oficial, o objeto exato da investigação nem as medidas judiciais autorizadas pela Justiça (como eventual cumprimento de mandados de busca, apreensão ou prisões).

Informações de bastidores indicam, porém, que a ofensiva pode estar relacionada a doações de campanha nas eleições de 2022. A suspeita preliminar é de possíveis irregularidades em financiamentos eleitorais que teriam beneficiado candidaturas locais naquele pleito, com eventual uso de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao município para turbinar arrecadações de forma irregular.

Essas versões ainda não foram confirmadas pelo Gaeco nem pelo Ministério Público Eleitoral. Até a última atualização desta matéria, não havia posicionamento oficial esclarecendo se a operação tem foco exclusivamente eleitoral ou se integra um conjunto mais amplo de apurações sobre contratos públicos e eventuais desvios de recursos em Sidrolândia, tema que já foi alvo de investigações anteriores.

Sidrolândia vem sendo monitorada por órgãos de controle desde ao menos 2017, quando começaram a ser revelados indícios de um esquema de corrupção envolvendo fraudes em licitações, desvio de dinheiro público e pagamento de propina a agentes políticos e empresariais. Esse histórico resultou, anos depois, na Operação Tromper, que teve fases deflagradas pelo Gaeco com cumprimento de mandados na cidade.

Na esteira da Tromper, a Câmara Municipal chegou a abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostos escândalos de corrupção na prefeitura e em contratos firmados com empresas prestadoras de serviço. À época, vereadores hoje novamente citados publicamente participaram das votações que abriram e, em outro momento, discutiram o arquivamento de iniciativas de fiscalização relacionadas às denúncias envolvendo o Executivo municipal.

Em 2025, dois anos após o auge do escândalo que levou à prisão de ex-integrantes da alta cúpula da administração local, o Gaeco voltou às ruas de Sidrolândia em nova ofensiva, reforçando a percepção de que o município segue no radar de investigações sobre corrupção e uso indevido de recursos públicos.

Próximos passos

Com a deflagração da operação desta terça-feira (18), a tendência é que o Ministério Público detalhe, nas próximas horas ou dias, a natureza das suspeitas, os tipos penais investigados e o alcance das medidas judiciais autorizadas. A partir da análise do material apreendido e de eventuais quebras de sigilo, o Gaeco deve aprofundar a apuração sobre a origem e o destino de recursos ligados às campanhas de 2022 e a possíveis relações com contratos públicos ou benefícios a grupos políticos locais.

Todos os citados na matéria têm direito à ampla defesa e ao contraditório, e permanecem, por lei, considerados inocentes até eventual sentença condenatória transitada em julgado. A reportagem permanece aberta para incluir posicionamentos dos mencionados, do Ministério Público, do Gaeco e das empresas investigadas assim que se manifestarem.

Compartilhar:

Comentários (0)

Carregando comentários...

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado

* Campos obrigatórios. Seu comentário será moderado antes de ser publicado.

Notícias Relacionadas