O fim da escala de trabalho 6×1 — regime em que o trabalhador atua seis dias seguidos e tem um dia de folga — voltou a ser debatido no Congresso Nacional e se tornou uma prioridade do governo federal neste ano eleitoral. A proposta prevê a redução da jornada semanal de 44 horas para 36, com alteração do formato de descanso e organização do trabalho.
Apesar do apoio governamental, economistas e representantes da indústria alertam para possíveis impactos negativos. Estimativas indicam que a mudança pode reduzir a produtividade média do trabalho e levar à perda de até 640 mil empregos formais no país, já que o aumento do custo do trabalho por hora pode incentivar demissões e a redução de produção.
Outro ponto de preocupação é o possível aumento da informalidade no mercado de trabalho. Com custos trabalhistas mais elevados no setor formal, empresas podem optar por contratar menos formalmente ou recorrer à automação, deslocando trabalhadores para a informalidade.
Especialistas também destacam que o aumento do custo da mão de obra tende a ser repassado ao consumidor, pressionando a inflação. Há ainda alertas sobre o impacto no Produto Interno Bruto (PIB) caso a proposta seja implementada sem ganhos de produtividade.
O debate envolve tanto argumentos econômicos quanto sociais, com defensores da medida ressaltando benefícios para a qualidade de vida dos trabalhadores e críticos apontando riscos para a competitividade e geração de empregos.