O avanço das discussões sobre um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), colocou novamente os senadores sob pressão para que revelem como votariam caso um processo de afastamento chegue ao plenário do Senado.
Levantamento da Gazeta do Povo mostra que, até a tarde desta quarta-feira (9), 64 dos 81 senadores haviam se manifestado. Entre eles, 39 disseram ser favoráveis ao impeachment, quatro se posicionaram contra e 21 preferiram não tornar publicamente sua posição. Os demais ainda não haviam respondido ao levantamento.
A movimentação ganhou força depois da retirada do sigilo de mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. Atualmente, segundo o levantamento, pelo menos 66 pedidos de impeachment contra Moraes já foram apresentados ao Senado.
Mato Grosso do Sul entra no debate
A posição dos representantes de Mato Grosso do Sul chama atenção principalmente pela trajetória política de Soraya Thronicke.
Soraya chegou ao Senado nas eleições de 2018 pelo PSL, mesmo partido de Jair Bolsonaro, impulsionada pela forte onda eleitoral da direita naquele ano. Durante a campanha, ficou conhecida nacionalmente pela proximidade com o então candidato à Presidência e chegou a ser apresentada como “a senadora do Bolsonaro”.
Ao longo do mandato, entretanto, a relação mudou. Soraya rompeu com Bolsonaro, passou a fazer críticas ao ex-presidente e se afastou do grupo político que havia apoiado sua eleição.
A mudança tornou-se ainda mais evidente em 2026. Soraya deixou o campo partidário no qual construiu sua trajetória inicial, filiou-se ao PSB — partido do vice-presidente Geraldo Alckmin — e confirmou sua candidatura à reeleição ao Senado dentro de uma aliança com o PT e com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A própria senadora confirmou publicamente o apoio de Lula à sua candidatura. Assim, oito anos depois de chegar ao Senado impulsionada pela onda bolsonarista, Soraya busca permanecer no cargo dentro de uma composição política liderada pelo principal adversário de Bolsonaro.
No debate atual sobre Alexandre de Moraes, Soraya defendeu que as suspeitas sejam investigadas, afirmando que preservar as instituições não significa blindar pessoas. A defesa de investigação, entretanto, não representa automaticamente apoio ao impeachment do ministro.
Tereza Cristina e Nelsinho Trad
Os outros representantes de Mato Grosso do Sul também aparecem no debate.
Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura durante o governo Bolsonaro, já se posicionou favoravelmente ao impeachment de Alexandre de Moraes.
Nelsinho Trad (PSD-MS) também aparece em levantamentos anteriores entre os senadores favoráveis ao afastamento do ministro.
O posicionamento dos três representantes de Mato Grosso do Sul ganha peso diante da matemática necessária para um eventual impeachment.
Para que um ministro do Supremo seja condenado pelo Senado, são necessários votos de dois terços dos 81 senadores — 54 votos.
Com 39 parlamentares declaradamente favoráveis no levantamento atual, o grupo que defende o afastamento de Moraes ainda precisaria conquistar mais 15 votos para alcançar esse número.
Antes disso, porém, existe outra barreira: um pedido precisa efetivamente avançar dentro do Senado para que seja instaurado o processo.