Uma operação internacional coordenada pela Interpol desmantelou uma organização criminosa que mantinha uma falsa delegacia da Polícia Federal brasileira em Essuatíni, país localizado no sul da África. A estrutura era utilizada para aplicar golpes sofisticados contra brasileiros e africanos, utilizando a imagem e a credibilidade da corporação.
Segundo as investigações, os criminosos montaram uma réplica bastante fiel de uma unidade da Polícia Federal, com uniformes, placas de identificação, distintivos e equipamentos falsificados. Durante videochamadas, os integrantes da quadrilha se apresentavam como agentes ou delegados da PF e informavam às vítimas que elas haviam sido alvo de crimes ou estavam envolvidas em investigações.
Usando técnicas de engenharia social, os golpistas convenciam as vítimas a transferir dinheiro para uma suposta "conta segura", alegando que os valores seriam protegidos durante a investigação. Na prática, o dinheiro era desviado para contas controladas pela organização criminosa.
Além dos golpes financeiros, a quadrilha também é investigada por envolvimento com lavagem de dinheiro, falsificação de identidade e exploração de jogos de azar ilegais. Durante a operação, foram apreendidos 240 dispositivos eletrônicos, dinheiro em espécie e diversos materiais utilizados para simular a estrutura da Polícia Federal brasileira.
A ação integrou a Operação First Light 2026, realizada entre janeiro e abril deste ano em 97 países e territórios. No balanço divulgado pela Interpol, a ofensiva levou à prisão de 5.811 pessoas e à apreensão de aproximadamente US$ 293 milhões em ativos ligados a crimes financeiros e fraudes internacionais.