Os Correios encerraram 2025 com um déficit de R$ 8,5 bilhões, aprofundando a crise financeira da estatal e completando 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. O número representa cerca de três anos e meio seguidos de prejuízos.
A sequência de perdas teve início no quarto trimestre de 2022. Desde então, a empresa não conseguiu registrar resultado positivo em nenhum dos períodos seguintes.
Antes disso, a estatal vinha de uma fase de resultados positivos. Entre 2017 e 2021, os Correios registraram lucros consecutivos, com destaque para 2021, quando o resultado foi bilionário. Em 2022, a empresa ainda fechou o ano com saldo positivo, embora já apresentasse queda no desempenho e sinais de deterioração no fim do período.
A mudança de cenário começou justamente na reta final de 2022, quando foi registrado o primeiro prejuízo após a sequência de lucros. A partir daí, a situação financeira passou a se agravar.
No balanço de 2025, grande parte do rombo — R$ 6,4 bilhões — está ligada ao pagamento de precatórios, decorrentes de decisões judiciais definitivas. Esse foi o principal fator responsável pelo aumento expressivo das despesas da estatal.
O problema já vinha crescendo ao longo do ano. No primeiro semestre de 2025, o déficit acumulado era de R$ 4,36 bilhões. Com o fechamento do exercício, o prejuízo praticamente dobrou.
Além do aumento de despesas, a empresa também enfrentou queda na receita. Em 2025, a arrecadação bruta foi de R$ 17,3 bilhões, uma redução de 11,35% em relação a 2024.
Para tentar conter a crise, os Correios adotaram medidas de redução de custos. Entre elas, a abertura de um novo Plano de Demissão Voluntária. Entre fevereiro e abril, 3.181 funcionários aderiram ao programa.
Somando os desligamentos de 2024 e 2025, a estatal registra 3.756 adesões. A economia estimada é de R$ 147,1 milhões em 2026 e pode chegar a R$ 775,7 milhões em 2027.
Mesmo com as medidas internas, a empresa também recorreu a crédito bilionário. No fim de 2025, foi firmado um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O contrato tem validade até 2040 e conta com garantia da União, o que reduz o risco para as instituições financeiras. Caso a estatal não consiga honrar os pagamentos, o governo federal pode assumir a dívida.
O acordo prevê três anos de carência, com início do pagamento das parcelas em dezembro de 2029. A taxa de juros foi definida em 115% do CDI.
Além disso, os Correios receberam autorização para buscar mais R$ 8 bilhões em empréstimos, também com garantia do governo federal. Com isso, o total de crédito disponível pode chegar a R$ 20 bilhões.