“Quando eu abri o portão, do nada, ele sacou a faca das costas e veio me dando golpe. Não conseguiu, tentou dar outro. No que não acertou, chegaram os policiais à paisana. Graças a Deus que Ele trouxe eles”. O relato é emocionante e escancara o medo sentido pela fátima-sulense de 47 anos, agredida pelo marido na Vila Danúbio Azul, em Campo Grande, na tarde de terça-feira (7).
O crime ganhou repercussão após vizinhos da vítima gravarem o momento que o suspeito, de 32 anos e natural de Rondônia, persegue a mulher com uma faca na mão. Ele foi contido e preso por policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Especiais) que estavam à paisana e presenciaram o episódio.
Emocionada, a mulher conta ao Midiamax suas lembranças dos dias que antecederam a tentativa de feminicídio. Segundo ela, as agressões começaram no sábado (4). Na ocasião, ele puxou seus cabelos repentinamente e a ameaçou de morte. O cenário de medo permaneceu até domingo (5).
O dia da agressão
Na terça-feira, ela conta que foi buscar sua filha e pediu ao companheiro que não bebesse, pois era quando ele ficava mais agressivo. No entanto, o homem consumiu bebida alcoólica e passou a xingá-la de “pu**, vag****** e bisc***”, por meio de mensagens no WhatsApp.
“16h ele me ligou, falou que deu R$ 900 reais para pagar as contas de casa, mas que era pra eu devolver ou ele ia matar meu cachorro, que é a minha vida. Eu tentei acalmar ele, chamar de amor, pra eu chegar em casa, mas eu estava com medo”, conta.
Então, quando a mulher voltou para a casa, encontrou o homem bêbado, encostado no portão. Ao entrar, ela questionou o consumo de álcool e pediu para que ele tomasse um banho e deitasse. A ideia é que ele ficasse sóbrio e fosse embora.
“Daquele jeito não tinha condições. Me chamou de vaga***** e disse que ia sair de casa. Ele deixou o portão aberto e minha pitbull saiu. Saí correndo atrás dela, trouxe pra dentro. Foi quando ele puxou meu cabelo, mandando eu entrar. Eu disse que não ia, porque ele ia me bater. Pedi para ele ir em bora”.
Ele não foi. Quando a mulher abriu o portão, o acusado sacou uma faca que mantinha escondida nas costas e avançou sobre ela. O primeiro golpe errou, então, tentou mais um. Foi neste momento que policiais à paisana do Bope passaram e presenciaram a tentativa de feminicídio.
“Eu vi ele com a faca e perguntei o que ele tava fazendo e ele falou: agora você vai morrer. Graças a Deus que Ele trouxe eles. Foi Deus, tanto que eu tava com medo de ir embora”, diz aliviada.
Segundo a vítima, ao ver o estado do marido, pensou que ele pudesse ter usado drogas. Dias atrás ele havia fumado maconha, enquanto ela pedia para que ele parasse.
“Falei pra Deus: Senhor, me cobre com teu sangue e deixa nada acontecer comigo. Foi Deus! A faca quase pegou aqui. Foram duas golpeadas que ele me deu”.
Viver em paz
Um dia após a tentativa de feminicídio, ela já sabe muito bem o que quer: seguir a vida em paz!
“Quero tocar a minha vida com minha família, amigos. Vou viver sozinha, mas pedi medida protetiva. Não sei quanto tempo ele vai ficar de cadeia, porque ele tem seis ‘Maria da Penha’, uma tentativa de homicídio que ele pagou. Eu não sabia que ele tinha tudo isso. Na verdade ele tava com intenção também de matar o tio dele, porque ele brigou com o tio dele”, conta.
Para ela, não há volta. A mulher afirma não acreditar que ele possa melhorar.
“Na primeira vez que a gente morou junto por cinco meses ele quase me matou. Aí me roubou o celular e 200 reais. Depois ficou igual um coelhinho dizendo: me perdoa, não vou fazer mais. E como sou carente, tenho borderline, esquizofrenia, ele era uma pessoa que cuidava de mim quando não estava bêbado. Então me apeguei. E pensei: agora dá certo, porque ele nunca tinha me ameaçado. Só que de sábado pra cá, começou”.
Para outras mulheres que vivem em situação de violência doméstica, ela afirma: “Abandona, pelo amor à sua vida, da sua família, dos seus filhos, abandona. Não vale a pena. Eu dei chance uma fez e não valeu a pena. Não volto mais atrás.”
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.