O Ministério da Saúde incinerou cerca de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos ao longo de 2025, segundo dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação. Parte significativa desse montante, cerca de R$ 18,5 milhões (17,1 %), ainda estava dentro do prazo de validade quando foi descartada.
Entre os itens destruídos estão produtos de alto custo e uso hospitalar, como anticorpos monoclonais para tratamento de câncer e vacinas contra a dengue, além de equipamentos como bombas de infusão e kits de monitoramento de glicose.
A avaliação administrativa apontou que a taxa de incineração — 1,48 % do total de estoques do SUS em 2025 — ficou dentro da meta prevista, que deve ser reduzida para 1 % em 2026. A pasta afirmou que os descartes por não conformidade técnica, como validade vencida, estão previstos nos contratos e que os itens são ressarcidos ou repostos.
O volume incinerado neste ano segue uma série histórica de grandes descartes. Nos primeiros três anos do atual governo, o total supera R$ 2 bilhões, valor mais de três vezes maior que o registrado no mandato anterior (cerca de R$ 601,5 milhões).
A gestão federal alega que fatores como mudanças de protocolos clínicos, decisões judiciais que impedem a devolução ao estoque, variações epidemiológicas e restrições sanitárias explicam parte dos descartes. Autoridades também destacam avanços na gestão de estoques, com sistemas digitalizados e monitoramento contínuo para reduzir perdas.