Testemunhas são ouvidas em audiência sobre sequestro da filha de Palermo
Sequestro foi peça-chave para a polícia localizar e prender chefão do PCC

Cativeiro onde a filha de Palermo ficou, no bairro Moreninhas. (Foto: Leonardo de França, Midiamax)
Sequestro foi peça-chave para a polícia localizar e prender chefão do PCC

Cativeiro onde a filha de Palermo ficou, no bairro Moreninhas. (Foto: Leonardo de França, Midiamax)
Testemunhas arroladas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) prestam depoimento, nesta quinta-feira (28), em audiência sobre o sequestro da filha do chefão do PCC (Primeiro Comando da Capital), Gerson Palermo. A jovem, de 25 anos, teria sido sequestrada a mando do pai, em outubro de 2025.
Esta é a segunda audiência de instrução e julgamento sobre o caso. A primeira foi realizada no dia 17 de março. Na ocasião não foi possível ouvir todas as testemunhas e foi necessária uma segunda audiência para concluir os depoimentos da acusação.
Além de Palermo, Reinaldo Silva de Farias, de 35 anos, também foi denunciado pelo Ministério Público. Conforme a denúncia, ele teria cometido o crime a mando do chefão do PCC.
Procurada pela reportagem, a advogada de Reinaldo, Hérika Ratto, afirmou que três testemunhas serão ouvidas hoje. A audiência é realizada na 3ª Vara Criminal de Campo Grande.
Jovem foi levada para cativeiro, onde foi torturada. (Foto: Leonardo de França/Midiamax)
Relembre o caso
A jovem foi resgatada por policiais civis do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) no dia 25 de outubro de 2025, após ser sequestrada e levada para um cativeiro, no Bairro Moreinhoas, onde foi torturada.
Reinaldo foi preso na época do crime, mas teve a prisão revogada e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
As investigações revelaram que a motivação do crime teria sido uma entrega de U$ 100 mil feita por Palermo ao ex-sogro. Ele teria ordenado ao idoso que escondesse o dinheiro em um cano de PVC. Assim, o ex-sogro, pedreiro à época, teria cavado o piso para guardar o cano e os dólares teriam permanecido no local por aproximadamente dez anos.
O sumiço do dinheiro veio à tona em maio do ano passado, quando Gerson entrou em contato com o ex-sogro exigindo os dólares de volta. O idoso teria retornado ao imóvel, onde atualmente mora a neta — filha de Palermo —, mas, ao remover o cano, não encontrou o dinheiro.
Ao informar o ex-genro sobre o desaparecimento dos U$ 100 mil, Palermo teria planejado o sequestro da filha para extorquir o valor do idoso, da jovem e do marido dela.
Gerson Palermo foi preso no dia 26 de maio, na Bolívia. (Foto: reprodução)
Prisão de Palermo
Investigações sobre o sequestro teriam contribuído para a prisão de Palermo. Ele estava foragido desde 2020 e foi preso na última terça-feira (26), na Bolívia.
O chefão do PCC estava morando em uma propriedade nas proximidades de Cotoca – cidade na Bolívia, localizada a cerca de 19 km de Santa Cruz de la Sierra – onde se passava por um empresário de grande sucesso do ramo do agronegócio.
Palermo foi extraditado para o Brasil na quarta-feira (27) e chegou em Campo Grande no fim da tarde. Nesta quinta-feira (28), ele passou por audiência de custódia e foi levado para o Presídio Federal.
Apontado como líder da facção criminosa, Palermo foi condenado a 126 anos de prisão. Além dessas acusações, ele também é réu no sequestro da filha.
Traficante foi escoltado ao chegar em Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

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