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Tilápia na lista de ‘invasores’ preocupa setor que move R$ 54,2 milhões em MS

Ministério do Meio Ambiente nega proibições, mas exportadores temem insegurança jurídica e repercussão internacional

Midiamax
Tilápia na lista de ‘invasores’ preocupa setor que move R$ 54,2 milhões em MS

Tilápia (Divulgação: MMA)

A Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) analisa a inclusão da tilápia na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras a partir desta quarta-feira (27), o que gera preocupação no setor. Mato Grosso do Sul é o terceiro maior exportador do pescado no Brasil, com movimentação de R$ 54,2 milhões em 2025.

A lista mapeia as espécies que podem representar riscos à biodiversidade do país. A tilápia pode ser vista como exótica invasora por ser originária da África e aparecer em rios fora das áreas de produção. Ela é resistente, o que pode ser uma vantagem competitiva sobre espécies nativas do Brasil.

No entanto, o Ministério do Meio Ambiente afirma que a tilápia não será proibida do Brasil. Para a pasta, a lista de espécies exóticas invasoras serve apenas para nortear políticas públicas de prevenção ao desequilíbrio ambiental. Cultivo e comercialização de tilápia seguiriam legais no Brasil.

Por outro lado, entidades representativas dos exportadores de tilápia consideram que a mudança pode trazer insegurança jurídica ao setor. Em nota, a Acrissul (Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul) diz que o mercado externo pode interpretar a decisão como reconhecimento de risco ambiental pelo governo brasileiro.

Temor entre exportadores

A nota divulgada pela Acrissul utiliza como fonte levantamentos da Peixe BR (Associação Brasileira
da Piscicultura). A principal preocupação é que a inclusão na lista poderia abrir precedente para o setor e resultar em queda nas exportações da espécie.

Por exemplo, em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. “Como consequência, as exportações chinesas da espécie registraram queda de aproximadamente 97% em apenas um ano, sem recuperação posterior do mercado”, alega o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros.

Além disso, segundo a nota da Acrissul, a análise da Peixe BR considera que certificações internacionais, como a BAP, ASC e Global G.A.P., poderiam ficar comprometidas porque adotam critérios rigorosos de controle ambiental e manejo de espécies.

Ministério do Meio Ambiente nega riscos

O MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) afirma que a inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras não impediria a criação do peixe. A pasta destaca que a lista é técnica e normativa, mas não implica banimento, proibição de uso ou cultivo.

Além disso, o MMA afirma que não há proposta ou planejamento para interromper atividades comerciais com a tilápia. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) é responsável por autorizar o cultivo de espécies exóticas e mantém o peixe permitido.

Na verdade, a tilápia já aparecia como espécie exótica invasora em listas mais antigas, desde 2006. A listagem é produzida pela Conabio, que reúne representantes de diversos setores do governo e da sociedade, e serve como referência técnica para políticas públicas e ações de prevenção e controle.

Exportações

O Anuário Brasileiro da Psicultura mostra que o Brasil exportou 12,5 mil toneladas de tilápia em 2025, o que resultou em movimentação de US$ 56,5 milhões, equivalente a R$ 286 milhões. Estados Unidos, Canadá, Japão e China são os principais destinos.

Paraná é o maior exportador brasileiro de tilápia, responsável por 50% do total exportado pelo Brasil no ano passado, com US$ 28 milhões. Na segunda posição, aparece São Paulo, totalizando US$ 16 milhões, que representam 29%. Mato Grosso do Sul é o terceiro, com 19% do total e movimentação de US$ 10,7 milhões (R$ 54,2 milhões).

O Jornal Midiamax aguarda resposta da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e da Sincadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul).

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