Levantamento nacional da Confederação Nacional de Municípios (CNM) indica cenário recente e alarmante: prefeituras acumulam dívidas, empurram contas para 2026 sem fonte de custeio e colocam serviços básicos em risco.
Um levantamento nacional da CNM, com respostas de 4.172 municípios (cerca de 75% do total do país), mostra avanço do aperto fiscal nas prefeituras. Segundo os dados, 28,8% das administrações municipais (1.202) já estão em atraso com fornecedores, enquanto 31% (1.293) afirmam que vão empurrar despesas para 2026 sem fonte de recursos — os chamados restos a pagar “a descoberto”.
O diagnóstico acende alerta para o início do próximo ano: com parte significativa das cidades já começando 2026 devendo, cresce o risco de interrupções e piora de serviços essenciais, especialmente em municípios mais vulneráveis, onde a dependência de repasses é maior.
Mesmo com reforços no caixa, a situação não se resolve. Em dezembro, as prefeituras recebem o repasse extra de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), mecanismo constitucional que injeta recursos no fim do ano — em 2025, a CNM estimou R$ 9,45 bilhões creditados no dia 10/12/2025.
A CNM também aponta que novas obrigações e programas têm pressionado o custeio, especialmente a folha e a manutenção da máquina pública, enquanto a conta com fornecedores e compromissos acumulados segue crescendo — combinação que amplia o risco de colapso fiscal local e de paralisações na ponta.