A Salmonella permanece entre os principais agentes causadores de doenças transmitidas por alimentos no Brasil e pode provocar desde episódios leves de gastroenterite até infecções graves que exigem atendimento hospitalar. Para reduzir os riscos de contaminação, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), integrante da Rede HU Brasil, orienta a população sobre medidas preventivas e os sinais que indicam a necessidade de procurar assistência médica.
Segundo a gastroenterologista Carla Moura, a infecção ocorre, na maioria das vezes, pela ingestão de alimentos ou água contaminados pela bactéria.
"Os sintomas mais comuns são diarreia, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos. Na maioria dos casos, a evolução é leve e autolimitada, mas é importante que a população esteja atenta aos sinais que indicam a necessidade de avaliação médica", explica.
Entre os alimentos mais associados à transmissão da Salmonella estão ovos crus ou mal cozidos, maionese caseira, carnes malpassadas, principalmente de aves , leite e derivados não pasteurizados, vegetais crus sem higienização adequada e alimentos manipulados incorretamente após o preparo.
Cuidados devem ser redobrados em festas e eventos
A especialista alerta que ambientes onde há produção em grande escala de refeições exigem atenção especial quanto à conservação e ao preparo dos alimentos.
"Nos restaurantes, festas e eventos, a atenção deve ser redobrada com molhos, saladas, carnes, ovos e alimentos expostos. Quando há uma grande quantidade de refeições sendo produzidas ao mesmo tempo, o risco aumenta, principalmente quando ocorrem falhas de higiene ou armazenamento inadequado", afirma.
De acordo com Carla Moura, surtos de doenças transmitidas por alimentos tendem a ser mais frequentes em períodos de calor, férias e festividades, quando cresce o consumo de refeições preparadas fora de casa.
Contaminação cruzada é um dos principais riscos
Outro fator que favorece a disseminação da bactéria é a chamada contaminação cruzada, quando microrganismos presentes em alimentos crus entram em contato com alimentos já prontos para o consumo.
"Muitas contaminações acontecem dessa forma. A pessoa corta um frango cru em uma tábua e depois utiliza a mesma superfície para preparar uma salada sem higienização adequada. Ou manipula um alimento contaminado e, sem lavar as mãos, toca em outro alimento que já está pronto para consumo", exemplifica.
Por isso, a médica ressalta que a correta higienização das mãos, utensílios, equipamentos e superfícies continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir a infecção.
Nem toda intoxicação alimentar é um caso simples
Além da Salmonella, outros microrganismos também podem provocar sintomas semelhantes, como Escherichia coli, Campylobacter, Shigella e parasitas como a Giardia. Segundo a especialista, muitos casos sequer chegam a ser diagnosticados, pois parte dos pacientes não procura atendimento médico nem realiza exames para identificar o agente causador.
Embora a maioria das infecções seja resolvida com hidratação e tratamento de suporte, alguns sinais exigem avaliação médica imediata.
"Quando a diarreia vem acompanhada de febre persistente, sangue nas fezes, dor abdominal intensa, sinais de desidratação ou dificuldade para ingerir líquidos, é importante procurar atendimento médico. Também precisamos ter atenção especial quando os sintomas acometem crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade comprometida", alerta.
Nessas situações, pode ocorrer perda importante de líquidos ou até disseminação da bactéria pela corrente sanguínea, aumentando o risco de complicações graves, como desidratação severa e sepse.
"Os quadros de intoxicação alimentar não devem ser banalizados. A maioria das pessoas terá recuperação completa apenas com hidratação e medidas de suporte, mas existe uma parcela de pacientes que pode necessitar de hidratação venosa, uso de antibióticos e acompanhamento mais intensivo. Por isso, é fundamental reconhecer os sinais de alerta e buscar assistência médica quando necessário", conclui Carla Moura.
Como prevenir a infecção por Salmonella
Lavar as mãos antes de preparar e consumir alimentos;
Higienizar corretamente frutas, verduras e legumes;
Cozinhar completamente carnes, aves e ovos;
Evitar o consumo de ovos crus ou mal cozidos;
Consumir apenas leite e derivados pasteurizados;
Separar alimentos crus daqueles já prontos para o consumo;
Higienizar utensílios e superfícies após o contato com carnes cruas;
Manter os alimentos refrigerados e armazenados corretamente;
Redobrar os cuidados ao consumir refeições em festas, eventos e estabelecimentos com grande circulação de pessoas.
O Humap-UFMS integra a Rede HU Brasil desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a rede administra 45 hospitais universitários federais distribuídos em 25 unidades da Federação, fortalecendo a assistência à saúde, o ensino, a pesquisa e a formação de profissionais por meio de um modelo de gestão voltado à excelência. Em 2026, a instituição adotou a marca HU Brasil como parte de seu reposicionamento institucional.