Uma ação de limpeza realizada por servidores da Prefeitura de Sidrolândia na área da antiga Escola Família Agrícola de Sidrolândia (EFASIDRO), no Assentamento Capão Bonito II, motivou uma denúncia à Polícia Civil. Uma mulher que afirma morar no local com seus oito filhos relatou que móveis, eletrodomésticos e objetos pessoais teriam sido retirados durante sua ausência.
A administração municipal informou que os trabalhadores foram ao endereço para executar limpeza externa e receberam a informação de que os ocupantes haviam deixado a casa aberta e abandonado o imóvel.
O espaço abrigou uma instituição de ensino voltada às famílias de assentamentos rurais. Em março de 2019, o Conselho Estadual de Educação cassou os atos de credenciamento e de autorização de funcionamento do ensino fundamental e médio da escola.
A denúncia foi registrada em 27 de outubro. A mulher, de 35 anos, declarou à polícia que reside há aproximadamente cinco anos em um imóvel nas antigas instalações escolares.
Segundo seu relato, ela acompanhava uma filha internada no hospital quando recebeu uma ligação de uma vizinha, que informou sobre a presença de funcionários municipais e a retirada dos pertences.
A denunciante afirmou que os objetos teriam sido colocados em um buraco utilizado para descarte de resíduos. Ao procurar a delegacia, porém, disse que ainda não havia retornado ao endereço para verificar os possíveis prejuízos.
Segundo a moradora, o imóvel pertence ao Incra. (A titularidade não foi confirmada pela reportagem) e que não havia ordem judicial determinando sua saída. A titularidade da área e as condições da ocupação não foram confirmadas pela documentação consultada.
A Prefeitura afirmou que a equipe recebeu a informação de que os moradores haviam deixado o imóvel e que a casa estava aberta.
Segundo a administração, aos trabalhadores foi informado que o local havia sido abandonado. A Prefeitura sustenta que o serviço executado foi de limpeza externa, conforme registrado em relatório municipal.
A resposta não detalha se houve retirada de móveis, eletrodomésticos ou outros objetos, nem esclarece o destino dos materiais mencionados pela moradora.
Escola surgiu por iniciativa das famílias assentadas
Pesquisas publicadas pela Universidade Federal da Grande Dourados apontam que a mobilização para criar a EFASIDRO começou em 2004, com sua criação oficial em 2006.
A instituição adotava a pedagogia da alternância: os estudantes permaneciam uma semana na escola, em regime de internato, e outra com a família, aplicando os conhecimentos nas propriedades rurais.
Um cadastro histórico do Ministério da Educação descreve a escola como comunitária, mantida por uma associação de pais por meio de convênios municipais e estaduais. A formação incluía agricultura, zootecnia e práticas agrícolas.
A cassação das autorizações foi publicada no Diário Oficial do Estado de 20 de março de 2019. O ato remete a um parecer e a um processo administrativo, mas não detalha os motivos da decisão.
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