O presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Breure, afirmou estar tranquilo diante das investigações que movimentaram Sidrolândia nas últimas horas. O empresário foi preso preventivamente na manhã de quarta-feira (7), durante a segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Ao chegar à Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia, Jacob conversou com jornalistas e negou qualquer participação em irregularidades envolvendo recursos públicos destinados à unidade hospitalar.
Mesmo diante da prisão e da repercussão do caso, o presidente da instituição declarou estar com a consciência tranquila e demonstrou confiança de que os fatos serão esclarecidos.
“Não devemos nada, tudo vai ser esclarecido”, afirmou.
Em outra declaração, Jacob reforçou que não teria participado de eventuais irregularidades e disse estar com a consciência limpa.
“Se tiver alguma coisa que aconteceu, não foi da nossa parte”, declarou.
PRESIDENTE DEFENDE ADMINISTRAÇÃO E INVESTIMENTOS NO HOSPITAL
Durante a conversa com a imprensa, Jacob destacou o trabalho realizado à frente do hospital e afirmou que as melhorias promovidas na estrutura e no atendimento à população foram executadas de maneira legal.
Segundo ele, a administração conta com equipes jurídica, contábil e administrativa responsáveis por acompanhar os procedimentos e garantir a regularidade das operações financeiras.
O empresário também ressaltou que investigações envolvendo grandes volumes de recursos públicos fazem parte dos mecanismos de fiscalização e controle.
Jacob afirmou não ter nada a esconder e disse confiar na documentação e nos esclarecimentos que poderão ser apresentados durante o andamento do processo.
Para o presidente, as transformações realizadas no hospital representam avanços importantes na assistência à população de Sidrolândia, e ele sustenta que todos os investimentos seguiram os procedimentos legais.
O advogado Wellison Muchiutti Hernandes, responsável pela defesa de Jacob, também se manifestou após a operação.
Segundo o defensor, seu cliente está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e colaborar com as investigações.
A defesa sustenta que os questionamentos apresentados durante a primeira fase da Operação Dirty Pix já haviam sido esclarecidos e afirma que não há intenção de ocultar documentos ou informações.
O advogado também declarou que Jacob não mantém contato com Júlio César Alves da Silva há aproximadamente dois anos e contestou a existência de vínculos ilícitos entre os investigados.
A segunda fase da Operação Dirty Pix foi realizada na quarta-feira (7), com o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão.
Além de Jacob Breure, foram presos preventivamente o ex-assessor e articulador político Júlio César Alves da Silva e a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho.
As diligências ocorreram em Sidrolândia, Campo Grande, Maracaju e Selvíria.
De acordo com o Ministério Público, as investigações começaram após a identificação de indícios de irregularidades em recursos destinados à aquisição de equipamentos hospitalares, incluindo um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave.
Com o aprofundamento das apurações, os investigadores passaram a analisar outros convênios relacionados à compra de materiais médicos, aquisição de uma UTI móvel e execução de reformas no hospital.
Os valores dos convênios sob investigação ultrapassam R$ 18 milhões. Esse montante corresponde aos recursos abrangidos pelas apurações e não significa, por si só, que todo o dinheiro tenha sido desviado.
Segundo o MPMS, existem indícios de superfaturamento, direcionamento de contratações e transferências financeiras que teriam beneficiado agentes públicos e intermediários.
A nova fase da operação também provocou repercussões no cenário político municipal.
A Justiça determinou o afastamento cautelar, por 180 dias, de três vereadores em exercício e três ex-vereadores que atualmente ocupam cargos na administração municipal.
A decisão está relacionada às investigações sobre supostos pagamentos de vantagens indevidas envolvendo recursos destinados à saúde.
As medidas judiciais não representam condenação dos envolvidos.
Apesar das suspeitas levantadas pelo Ministério Público, Jacob Breure mantém sua posição de que não participou de qualquer irregularidade na administração do hospital.
A defesa afirma que pretende apresentar os esclarecimentos necessários no decorrer do processo.
As investigações continuam, e caberá à Justiça analisar as provas reunidas e as manifestações dos investigados, assegurando o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.