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Mulheres passam a liderar perfil de concurseiros no Brasil

Pesquisa indica diversidade entre participantes em concursos públicos

Diário Digital
Mulheres passam a liderar perfil de concurseiros no Brasil

Mulheres buscam estabilidade e ocupação de espaços em concursos (Foto: Mikhail Nilov)

A participação feminina nos concursos públicos aumentou em 2025, sendo maioria entre os canditatos no país. Segundo o Censo dos Concursos 2025, realizado pelo Qconcursos, as mulheres cisgêneros equivalem a 50,69% dos concurseiros, um avanço de quase 5,7% comparado ao ano anterior. Já a presença masculina em concursos reduziu para 42,4%.

Dados da pesquisa apontam também que há diversidade maior entre o perfil dos participantes. Ainda que em menor escala, há maior registro de identidades de gênero como homens e mulheres trans e pesoas não binárias, mostrando evolução no quesito representatividade e na compreensão do público que busca estabilidade por meio do serviço público.

A pesquisa ainda aponta um cenário mais competitivo em relação ao crescimento da participação das mulheres. Foram registrados 9.581 concursos públicos em 2025, 57% a mais que o ano anterior, mas com uma redução de 43,4% no número total de vagas. Os concursos requerem preparação mais estratégica dos participantes, principalmente em um local de maior concorrência.

Para Juliana de Almeida, professora do curso de Direito da Estácio, a participação feminina nos concursos públicos não reflete apenas a procura por estabilidade, mas também um movimento consistente de ocupação de espaços historicamente masculinos. "As mulheres têm investido cada vez mais em formação e preparação estratégica, mesmo diante de desafios como a sobrecarga de funções e desigualdades estruturais”, declara Juliana.

Em contrapartida, os dados também ressaltam dificuldades estruturais. Aproximadamente 65% dos concurseiros utilizam menos de um salário-mínimo por ano na preparação, o que pode interferir no acesso a materiais e cursos de qualidade. Mesmo assim, as mulheres continuam expandindo sua presença, apesar de limitações financeiras e desigualdades históricas. “O avanço feminino nos concursos ocorre apesar das desigualdades, não por causa delas. Quando a tecnologia e a inteligência artificial entram em cena, elas não apenas facilitam o estudo — elas reduzem barreiras históricas, ampliam o acesso e tornam a disputa mais justa para quem sempre precisou se esforçar mais para chegar até aqui”, completa a professora.

A tecnologia surge como parte do processo de preparação, onde a maioria dos candidatos utiliza ferramentas de inteligência artificial nos estudos, especialmente para revisão e resolução de questões. Fora isso, concursos municipais passaram a comandar o número de editais, enquanto bancas como FGV e Cebraspe seguem entre as mais relevantes, em um contexto que concilia maior diversidade, avanço feminino e novas formas de preparação. 


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